segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Falta Consciência e Ação


A lei Antifumo é uma lei que visa proteger a saúde de pessoas que não possuem o hábito de fumar. No Brasil, são 200 mil mortes por ano, o que significa aproximadamente 7 mortes por dia, de não fumantes, ou seja, pessoas que exalam a fumaça alheia. A lei já existe em outros países, uma tendência mundial no combate ao tabagismo. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o fumante passivo é a terceira maior causa de mortes evitáveis no mundo.
Essa lei, vem incrementando outra que foi implantada em junho de 2008. A Lei Seca, que alterou o Código de Trânsito Brasileiro, veio para provocar uma mudança de hábito na população brasileira, proibindo o consumo de bebida alcóolica em condutores de veículos. Uma tentativa de evitar e diminuir os acidentes de trânsito.
É fato que ambas as leis, vem com o intuito de causar impacto em nossas ações. Mudar nossos comportamentos. Chamar a atenção para que as pessoas prestem atenção e reflitam que seus atos estão comprometendo a vida e a saúde de outras pessoas. Pergunto: Elas precisavam existir?
Se todas as pessoas tivessem a consciência de não fumarem em lugares públicos, não haveria a Lei Antifumo. Se não existissem motoristas embriagados, a Lei Seca não teria motivo nenhum de existir.
A solução está na individualidade de cada pessoa. Na consciência que elas deveriam ter em agir. Cumprir com o seu papel. Fazer a sua parte, mesmo que pequena e simples que possa parecer. Essas atitudes, poderiam ajudar a melhorar o país em que vivemos.
Já tive a oportunidade de participar de uma reportagem cujo título era "Faça você mesmo". Contamos muitas histórias de pessoas que cansaram de reclamar e cruzar os braços e resolveram agir. A reportagem foi composta por pessoas que prestam serviços voluntários. Dentistas que atendem gratuitamente e até Conselhos de Segurança, cuja a finalidade é ajudar a polícia no combate a violência.
Esses dias, estava lendo na revista Istoé uma entrevista com o ator Pedro Cardoso, que faz campanha contra a pornografia e cenas de nudez na televisão. O ator espera por uma resposta do público, pois sabe que é o público, o maior responsável por essa prática comum no Brasil. O público brasileiro, parece que já se acostumou em ter que muitas vezes, tirar as crianças da sala.
A falta de participação popular, de uma ação individual, também está presente na política. Uma pesquisa realizada pela Associação de Magistrados(AMB) mostra que 85% dos brasileiros crêem que os políticos só atuam em causa própria. A abstenção de votos nas eleições, também vem se tornando comum.
Essa realidade pode ser revertida quando o cidadão começa a se conscientizar que ele deve tomar as decisões, e também deve participar da política. Somos vítimas de políticos corruptos que estão em seus cargos há anos e não largam. Talvez pelo motivo das pessoas terem tanto desinteresse, que vão lá e votam no mesmo.
Sem participação, não há renovação.A falta de renovação chegou a preocupar o presidente Lula, que em discurso proferido para estudantes disse a seguinte frase: "Talvez o político ideal não está em mim, não está em ninguém, está dentro de você". Faço minhas, as palavras do presidente.

domingo, 13 de setembro de 2009

Não é mais como no tempo da minha vó


É costumeiro ouvirmos de nossos avós histórias sobre o passado, histórias que estão vivas na memória de cada um. Consigo até me imaginar naquele tempo, onde os namorados namoravam no sofá de casa, sob os olhares atentos dos mais velhos. Onde a televisão ainda era em preto e branco, mas não tiravam o brilho e o encantamento. Onde a comunicação era feita por cartas e demoravam dias para chegar. Eram sempre notícias de parentes distantes, lembranças de amigos, e aquela magia de serem escritas com o próprio punho.
Lendo diversas cartas que meus avós recebiam,fico imaginando o quanto era difícil a comunicação. O quanto era difícil uma notícia urgente chegar as mãos de quem precisava saber. Hoje, já podemos mandar e-mail, recado no orkut ou facebook, e até seguir no twitter. Tudo muito prático, rápido e acessível, quando falamos em tudo o que a internet pode nos proporcionar.
Segundo um estudo feito pelo vice-presidente de uma empresa de marketing norte-americada, Erik Qualman, as pessoas que estão nascendo nesta geração, atingirão o maior nível de adeptos das mídias sociais, cerca de 96% terão um perfil no orkut, facebook e Myspace. Essas redes de interações, já ocupam o primeiro lugar em atividades na web.
O namoro também muda nessa revolução.Não é mais como atigamente, quando os namorados iam pedir a mão da namorada. Hoje, estima-se que de um em cada oito casamentos tenham ocorrido devido as mídias sociais, ou seja, casais que se conheceram graças as novas ferramentas de comunicação. Somente o facebook conquistou a marca de 100 milhões de usuários em 9 meses, enquanto o rádio levou cerca de 38 anos para conquistar 500 milhões de ouvintes. Se fosse um país,o facebook seria o quarto maior do mundo entre os Estados Unidos e a Indonésia. No entanto o Ozone da China é ainda maior, com cerca de 300 milhões de usuários.
No Brasil, o orkut conquistou e conquista milhões de adeptos. É a mídia social que ganhou o grande público brasileiro. São diversas pessoas que compartilham recados, fotos, depoimentos e vídeos. No tempo da minha vó, as únicas fotos que existiam eram aquelas em preto e branco da família toda.
O twitter também torna-se uma ferramenta muito utilizada. Podemos resumir em 140 caracteres o que estamos pensando, ou o que vamos fazer. Há pessoas que são seguidas por internautas que ultrapassam as populações da Irlanda, Noruega e Panamá. Os blogs também são utilizados por cerca de 200 milhões de pessoas no mundo, e 54% delas escrevem neles diariamente.
Hoje, já não precisamos recorrer a bibliotecas com aquelas gigantescas enciclopédias, para fazer alguma pesquisa escolar. Basta só alguns minutos no Wikipédia, que contém 13 milhões de artigos, ou acessando os cerca de 100 milhões de vídeos no youtube.
Ganha-se na mudança fundamental que está ocorrendo no modo em que nos comunicamos, pois a tecnologia está a nosso favor. Perde-se no que diz respeito ao exibicionismo e a intimidade. Segundo pesquisa realizada pela revista Veja, as pessoas pagam caro pela exposição aberta na internet. Está tudo lá para quem quiser ver. O que você pensa, fotos da família e namorado, músicas que você ouve, e até grande parte de sua personalidade. Um lugar onde não há privacidade alguma. As pessoas parecem não se importarem nem com a imagem que elas estão passando.
Já não é mais como antigamente. As pessoas namoram, quando ambas atualizam o relacionamento no orkut. Tiram fotos digitais de tudo e em poucos minutos cai na rede. É como se gritassem para que todos viessem lá para ver. Devemos saber aproveitar as mídias sociais. Utilizá-las para novos contatos. A expansão da comunicação continua. Há quem diga que o Google sabe mais de você, do que você mesmo, mas no entanto, devemos tomar o maior cuidado e não devassar a nossa própria vida na rede.

domingo, 16 de agosto de 2009

A fé move montanhas?


O Ministério Público de São Paulo vai pedir a cooperação internacional para investigar os crimes de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, praticados pelo bispo Edir Macedo e outros líderes da Igreja Universal do Reino de Deus. Levantamento feito pelo Ministério Público e pela Polícia Cívil mostra que a igreja movimenta cerca de 1,4 bilhão por ano no Brasil, dinheiro pago através de dízimos de seus milhares de fiéis espalhados por 4,5 mil templos instalados em mais de mil cidades. Acredita-se que o volume em dinheiro movimentado entre 2001 e 2008, chega a quantia de R$ 8 bilhões.
Todos os dias em algum lugar do Brasil é aberta uma nova igreja, seguindo a mesma linha da Universal. Segundo o ISER (Instituto Superior dos Estudos da Religião), só no Rio de Janeiro surgem cinco novas igrejas por semana. Elas começam pequenas, com um amontoado de bancos, alguns fiéis e seu comandante que se denomina "pastor" que pega a biblía e começa a tomada de mais um grande empreendimento. São seguidas por pessoas simples, humildes, com renda familiar de até três salários mínimos e estima-se que tenham estudado até a sexta série. São presas fáceis e acreditam no principal discurso da igreja, que se doarem muito dinheiro, ganharão muito mais e ainda serão abençoadas por Deus.
Essas pessoas ainda não se deram conta que a fé não é um produto de venda. Ela não é comércio! Como elas podem achar que com tantas pessoas na miséria, elas serão abençoadas dando dinheiro a igreja? Que empreendimento é esse que pega as pessoas mais frágeis, para manipular?
Muitas vezes a ousadia é tanta que elas chegam a abusar da criatividade dos nomes. Eis alguns: Igreja Serpente de Moisés que Engoliu as Outras, Cuspe de Cristo, Bola de Neve, Jesus Vem e Você Fica, Cobrinha de Moisés, Papagaio Santo que Ora a Biblía, Fiel até Debaixo D'água, Pronto Socorro das Almas, Vencedores Salvos da Macumba, Linha Direta com o Paraíso, entre outras bizarrices. Com nomes assim, fica cada vez mais difícil não acreditar que seus seguidores, tenham sido vítimas de alguma espécie de "lavagem cerebral".
Segundo alguns depoimentos de quem seguia a igreja do bispo Edir Macedo, eram feitas campanhas loucas que exaltavam o capitalismo. Uma delas consistia em dar 10 e receber 1000 de volta. Há relatos de pessoas que deram tudo o que juntaram durante a vida inteira. Também havia o recolhimento de jóias como sinal de desprendimento. Será que o bispo fazia semelhante prática com suas milionárias mansões?
A desenfreada ganância continua fazendo vítimas. Nem o nome Daquele que pregou o bem e a paz a humanidade é respeitado. A fé move montanhas- Quem nunca ouviu esse discurso biblíco proferido em qualquer religião? No Brasil não move apenas montanhas. Move pessoas que na ânsia de ficarem ricas, dão tudo o que tem. Movem líderes religiosos a roubar e mentir. A fé move milhões em dinheiro. Move templos a não praticar a caridade e enganar os mais humildes, que precisam tanto de ajuda.

Obs: Queria observar que esta postagem tem o único interesse de atingir a Igreja Universal e seus segmentos, não outras religiões. Conheço espirítas, evangélicos e respeito todos!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A lenda dos caras-pintadas


Caras-pintadas foi um movimento estudantil brasileiro que aconteceu no decorrer do ano de 1992. Tinha como principal objetivo o impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello. O movimento baseou-se nas denúncias de corrupção que pesaram contra o presidente e suas medidas econômicas. Contou com milhares de jovens em todo o país. O nome caras-pintadas referiu-se à principal forma de expressão, símbolo do movimento: as cores verde e amarelo pintadas no rosto.
Desde que nasci em Abril de 1989, ouço muitos comentários e histórias sobre os caras-pintadas. Consigo até ver nos olhos, o orgulho de quem conta ter vivido nesta época. Época em que o país não deixou impune seu presidente corrupto.
Diversos jovens brasileiros pegaram o país nas mãos, queriam uma ideologia para viver. Mas hoje, diante de tanta impunidade, tantos escândalos. Pergunto: E os jovens? Onde estão os caras-pintadas? Cadê a indignação?
Segundo reportagem da Revista Veja de Fevereiro deste ano, os jovens dessa geração são filhos da evolução tecnológica, vivem no mundo digital, são pragmáticos, pouco idealistas e estão mais desorientados do que nunca. São vazios de idéias e ideais. Ainda nesta reportagem, os jovens que nasceram a partir de 1990 não almejam fazer nenhum tipo de revolução, como sonhavam os jovens dos anos 60 e 70. Mudar o mundo não é com eles. O que querem mesmo é ganhar um bom dinheiro em seu trabalho.
Os caras-pintadas deixaram uma lição. Um verdadeiro legado para essa geração. Mas será que os jovens atuais, querem permitir toda essa corrupção como está? Como é possível terem se acomodado tanto?
Segundo estudo feito por um coordenador da Escola de Economia de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas(FGV), o Brasil paga caro pelo aumento da corrupção. A perda provocada por fraudes públicas no país, atinge a casa de US$ 3,5 bilhões por ano. Dados da Ong Transparência Internacional mostram que o Índice da Corrupção no Brasil é semelhante ao de países como Belize, Sri Lanka, Peru e Kuwait.
Em apenas dois escândalos - o superfaturamento do Tribunal Regional do Trabalho(TRT) de São Paulo pelo juíz Nicolau dos Santos Neto, e o dos sanguessugas, a população perdeu cerca de US$ 150 milhões. No estudo ainda é constatado que muito desse dinheiro, poderia abrigar muitas famílias, ajudar na melhoria da infraestrutura da educação brasileira. Menos dinheiro,também significa menos trabalho e renda.
Já se passaram 17 anos do movimento. O Brasil ainda precisa de revolução. Escândalo é o que não falta! Não dá para cruzar os braços e ficar assistindo tudo. Em quase duas décadas, daria tempo para dar um basta em tanta impunidade. O movimento caras-pintadas parece se tratar de uma lenda. Uma lenda perdida na história brasileira. Onde um dia, a juventude se uniu em prol do país. Será que o verde e o amarelo já se apagaram? Será que ainda continuaremos contando isso as próximas gerações, acompanhados de apenas boas lembranças?

Obs: Não quero cometer nenhuma injustiça, portanto quero dizer que conheço jovens que estão fora desta estatística e almejam como eu, algum tipo de revolução. Essa postagem, conta com dados de revistas e estudos que li e analisei cuidadosamente.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

A polêmica do Bolsa Família


Essa semana muitos veículos de comunicação, acompanhando o anúncio de que o Bolsa Família seria reajustado, aproveitaram para dar ênfase a um estudo de Maurício Canêdo Pinheiro da Fundação Getúlio Vargas, que mostrou que 3% dos votos de 2006, foram graças ao Bolsa Família. Agora muitas pessoas podem comemorar,a afirmação que o programa é eleitoreiro conta com um embasamento científico. Só ainda não se deram conta que esses 3%, pelo que tudo indica, não chegam a arranhar os 60% restante.
Não concordo que o benefício é uma forma de assistencialismo, fazendo com que a maioria dos brasileiros se acomode nesta situação. Estamos falando de milhares de pessoas Brasil afora, que em pleno século XXI, não sabiam o que era ter energia elétrica em casa e que não tinham a mínima condição de subsistência. Não estou falando apenas do Nordeste. Estou me referindo também de cidades aqui mesmo no Paraná, como Ortigueira por exemplo, que conta com um pífio IDH. São pessoas que precisam de uma oportunidade. Muitos brasileiros no conforto de suas casas, não enxergam que existem pessoas vivendo em condições sub-humanas.
Segundo reportagem recente, a revista britânica The Economist afirmou que o Bolsa Família está ganhando adeptos no mundo inteiro.Iniciativas semelhantes estão sendo testadas em larga escala em outros países da América Latina. De acordo com informações, ainda nesta reportagem, o programa brasileiro contribuiu para a taxa de crescimento no Nordeste acima do nível nacional. Ajudou a reduzir a desigualdade de renda no Brasil e o aumento no poder de compra. A revista também chama de injusta a acusação de que o Bolsa Família é eleitoreiro.
Muitas pessoas são adeptas da ideia de que só serve para alavancar votos. Mas se o programa fosse eleitoreiro, qual o problema? Não vejo nada de errado em tentar defender a sua classe. Por que os sem-terra podem votar em candidatos que defendem a reforma agrária? Por que os banqueiros podem votar naqueles que defendem os seus interesses? Por que só os mais pobres, não tem direito de votar em quem defende eles?
Só no ano passado, mais de 60 mil famílias pediram o desligamento do programa. Agradeciam e reconheciam que o dinheiro que recebiam, ajudava no alimento e proporcionava melhores condições para que pudessem entrar no mercado de trabalho. Agora queriam dar a vaga a outros que mais precisavam.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social(MDS), desde 2003, 14 milhões de pessoas deixaram a pobreza extrema e agora estão em melhores condições de vida. A classe média está crescendo e se fortalecendo com maior poder de compra, sendo um impacto muito positivo contra a crise, pois o pobre agora também está consumindo. Para quem acha que o benefício é só dinheiro na mão, está enganado. Segundo Patrus Ananias, o Bolsa Família não é um programa isolado. Está integrado também em uma grande rede nacional de promoção social, pois conta com o Centro de Referência de Ação Social(Creas), com 4 mil instalações e profissionais como psicólogos e assistentes socias, que dão apoio ao acolhimento de pessoas, alfabetização, conhecimento de informática e tecnologia, restaurantes populares, captação da água da chuva no semi-árido e também políticas de qualificação e geração de emprego e renda. A ideia é que depois do benefício, as pessoas possam ter condições de caminhar com as próprias pernas.
Muitas pessoas ainda vivem no preconceito de que os nordestinos ou os acomodados é que precisam de ajuda. Na verdade, parecem tapar os olhos e não enxergar uma realidade que incomoda. Uma imensa desiguldade social,um dos principais problemas do país. Apoiar políticas socias não é sustentar pessoas que não querem trabalhar, mas sim contribuir para um mundo mais justo e mais humano.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Não agimos pela razão


Nos últimos dez anos, 42 torcedores morreram em conflitos dentro, no entorno ou nos acessos aos estádios de futebol. Os dados foram estudados por um sociólogo e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Maurício Murad, baseado em dados fornecidos por jornais, revistas e rádios das principais cidades do país entre os anos de 1999 e 2008.
Neste período a média ficou em 4,2 mortes em cada ano. No período entre 2004 e 2008 o número de mortes totalizava 28, uma média de 5,6 por ano. A proporção é ainda maior se contabilizarmos somente os últimos dois anos, com 14 mortes, média de sete por ano, constatando que está cada vez maior o número de óbitos entre as torcidas de futebol.
Esses números são alarmantes e servem para ilustrar que nós humanos, não agimos pela razão. As pessoas são fanáticas, escravizadas pelo amor que dedicam ao time, e muitas vezes usam o seu clube como uma religião a ser seguida. O fascínio é tanto que hoje é crescente o número de veículos de comunicação que tratam a maior parte de seu tempo, a falar de clubes, de contratações e tudo o que envolve esse universo. O estudo de Murad, também constata que as vítimas nos estádios são jovens entre 14 e 25 anos, e que não eram ligados a práticas de nenhum tipo de violência.
Que dedicação é essa que levam os torcedores a morte? Que não leva em consideração, que é apenas um confronto entre dois times? Será que nunca pararam para refletir, que não vão ganhar nada com isso? Que os jogadores do seu clube, na maioria das vezes nem sabe que você existe?
Quer outro exemplo que somos escravizados pelas nossas emoções? Michael Jackson morreu e mobilizou o mundo inteiro. Seu funeral foi o mais assistido da história, e suas composições bateram recordes de vendas. Foram mais de 750 milhões de discos nos diversos cantos do planeta. Ele era amado por japoneses, alemães e até por presos finlandeses. A receita de seu sucesso não era devida somente ao seu brilhantismo como músico e dançarino, iam muito além. Michael Jackson fez com que as pessoas não apenas ouvissem suas músicas, mas que as sentissem e que se entregassem a emoção. Não foi do nada que ele virou a estrela que era, desde muito novo, emocionava grandes platéias.
Outro exemplo de nossa servidão a emoção são as novelas. São tantos folhetins, tantas histórias envolvidas e uma única certeza,o grande sucesso que faz. Um estudo do Banco Interamericano do Desenvolvimento (BID) analisou o papel das novelas na sociedade brasileira e constatou que ela desempenha um papel crucial na circulação de ideias. Também foi a grande responsável pela queda na taxa de fertilidade e o aumento do divórcio entre os anos de 1970 e 1991.
Segundo o estudo, hoje sessenta a oitenta milhões de brasileiros assistem regularmente as novelas brasileiras. A Globo domina a produção nacional, as quais geralmente mostram um modelo de família muito específica, pequena, atraente, branca, saudável, urbana, de classe média ou alta e muito consumista, que está muito aquém de nossa verdadeira realidade.
É fato que esse e outros estudos concluem o mal que elas nos fazem, muitas vezes até nos alienando. Mas nunca nenhum programa conseguiu a audiência que elas conseguem. As histórias que sempre fazem o maior sucesso e na maioria das vezes, fazem o país parar em horário nobre, são as que tratam de romances. Isso prova que quase sempre agimos pela emoção. Não pela razão.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Eu também quero o meu castelo!


O deputado Edmar Moreira, foi acusado de possuir um castelo avaliado em R$ 25 milhões e não declarou ao Imposto de Renda, ao que tudo indica o deputado fazia sonegação fiscal, além de usar indevidamente as verbas que recebia da Câmara. Em ambos os casos, ele passou ileso sem nenhuma punição e agora pode desfrutar de sete mil metros quadrados de área construída, oito torres, 36 suítes, 18 salas, piscina com cascata, fontes, espelhos d’água e 275 janelas.
O castelo fica localizado em São João do Napunemo(MG) e serve de casa de campo para passar os finais de semana, além de tudo, receber convidados ilustres como Itamar Franco. Só esqueceram de avisar ao nobre Edmar Moreira, que julgando pela opulência da obra é muito difícil acreditar que ela se encontra em território brasileiro, e que ele está muito aquém de uma dura realidade.
No Brasil o sexto Artigo da Constituição garante moradia digna a todo brasileiro com saneamento básico, coleta de lixo e abastecimento de água. Só no Brasil são 2.360 milhões de domicílios em favelas. Cerca de 70% dessas favelas se concentram nas 32 maiores cidades do país. O empobrecimento empurra cada vez mais pessoas a morarem em favelas, sem a dignidade garantida pela Constituição.
Só na cidade de São Paulo, os favelados eram 1% da população em 1973, hoje um estudo feito pela prefeitura, identifica 2.018 favelas, com 378.863 domicílios para 1.16 milhões de pessoas. A maior parcela de necessidade habitacional concentra-se nos Estados do Nordeste (38%) onde o IBGE também aponta problemas graves de esgoto e água encanada.
A má situação de moradia no Brasil, impressionou até o relator especial das Nações Unidas, que esteve no país no ano passado e classificou as favelas de Recife e Fortaleza como as piores do mundo. Situações como vilas rurais, quilombos e até tribos indígenas também foram analisadas em todo o país e classificadas como muito perturbadora.
O relatório reconheceu a boa vontade do governo brasileiro, em acabar com essa situação. Casos como o Edmar Moreira, não devem passar esquecidos. Fica cada vez mais claro que não vivemos em um país justo. Sua grandiosa obra foi construída com dinheiro de nossos impostos, e que se ele tem o direito a ter um castelo, todos nós brasileiros temos esse mesmo direito.