sábado, 15 de maio de 2010

A vergonha tem nome e endereço


Quando os olhos de diversas pessoas ainda brilhavam e proclamavam por justiça e política digna a todos os cidadãos, e quando o resgate da confiança na política borbulhava entorno de campanhas como "Voto Consciente" e "Ficha Limpa", estourou um novo escândalo. Não tem mais como nomear isso, a não ser chamando de vergonha! E ela tem nome e endereço - Diários Secretos da Assembléia Legislativa do Paraná, na praça Nossa Senhora da Salete, sem número, Centro Cívico,em Curitiba.
Os gelados ares curitibanos, não esperavam por mais esse caos na política, só vindo a tona graças as investigações de jornalistas. Os Diários Secretos que tratam de pagamentos a funcionários fantasmas, que não tem nenhum vínculo com a Casa Legislativa, veio de vez para derrubar a confiança que ainda podíamos depositar nos políticos e levou a prisão de diretores da Alep como: Abib Miguel, José Ary Nassif e Claúdio Marques.
O que foi ainda mais desprezível nesse contexto, foi a tremenda cara de pau de alguns deputados que propuseram uma PEC (Proposta de Emenda a Constituição do Paraná) pretendendo acabar com a cessão de policiais para auxiliar nas investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Caso seja aprovada, a proposta irá inviabilizar a atuação do órgão que conta com a colaboração de policiais cedidos pelo governo estadual para combater organizações criminosas. Ou seja, três dias após o Legislativo ter sido alvo de uma operação de busca e apreensão de documentos comandados pelo Gaeco.
E agora, aprovando o projeto, a polícia não poderá mais atuar, e eles não poderão mais serem presos ou deixarem seus cargos. Nada mais justo para quem tem o poder nas mãos. Não é mesmo?
O Ministério Público já divulgou nota afirmando que a PEC é inconstitucional. 20 deputados assinaram o projeto contra Ministério Público, mas até o momento nenhum nome foi revelado. Por baixo dos panos, lá vão os nobres deputados na tentativa de se safarem de mais essa e torcendo para que tudo caia no esquecimento. Lembrando que não foram todos, e que ali existem sim, gente honesta.

Ficha Limpa: Quem não deve. Não teme!

O projeto "Ficha Limpa" que é de interesse de todos e teve iniciativa popular, impede agora que políticos condenados pela Justiça se candidatem a cargos, foi aprovado pela Câmara no dia 11 de maio, e conta com o apoio da maioria do Senado.
Dos 81 senadores, 50 disseram que votarão a favor do projeto. O texto será votado em plenário em data ainda a ser definida.
Quem não deve a justiça, não tem como temer um projeto como o Ficha Limpa, mas parece que alguns políticos paranaenses não dormem com a sua consciência tranqüila. Atenção eleitor, os deputados federais que foram contra, o Ficha Limpa foram: Chico da Princesa, Dilceu Sperafico, Giacobo, Nelson Meurer, Odílio Balbinotti e Ricardo Barros.

Voto Consciente: Agora é com você!

O Ficha Limpa já mostrou que a nossa participação gera bons frutos. O poder de decisão está em nossas mãos. Depois de votar no político, não adianta depois só criticar, pois não foi o Papai Noel, nem muito menos, um disco voador, que os colocou em suas cadeiras confortáveis e lhes deram autonomia para se chamarem de governantes. Foi você, com o seu voto! Agora teremos uma nova oportunidade! É sua a decisão de construirmos um país melhor e despachar quem não merece a nossa confiança, pois o que eles mais querem, é gente desinteressada e sem nenhuma participação, pois assim ninguém fiscaliza, e eles poderão pintar e bordar as suas maneiras. 2010 é hora de renovação!

terça-feira, 23 de março de 2010

BBB- A humilhação


O deputado federal Nelson Goetten (PR de Santa Catarina) enviou um projeto de lei para a Câmara dos Deputados para proibir que as redes de televisão do país exibam cenas que desrespeitem a dignidade humana na veiculação de reality shows. De número 6446/09, o projeto de lei será analisado pelas comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática e de Constituição e Justiça e de Cidadania, e prevê uma multa de até R$ 50 mil para as emissoras que desrespeitarem a determinação da lei.
Atualmente, três emissoras brasileiras possuem reality shows. A Rede Globo está no ar com o "Big Brother Brasil", a Rede Record possui "A Fazenda" e o SBT o reality “Solitário”.
Muitos veículos de comunicação deram essa notícia em janeiro desse ano. O Big Brother Brasil- programa exibido pela Globo, está completando 10 anos, ou seja, há uma década esse formato televisivo chegava ao Brasil. A audiência sempre foi embasada no interesse que as pessoas tinham nesse novo formato, na curiosidade de ver como conviviam várias pessoas estranhas morando na mesma casa. Muitos anos se passaram, e pouca coisa mudou. Para se ter uma ideia, ele continua sendo fenômeno de audiência, e em uma noite o BBB consegue tirar milhões em dinheiro dos brasileiros, que ficam confinados em frente da televisão para decidir qual participante deve sair.
Assistindo algumas cenas desse programa, me incomodou por várias vezes ver que os participantes se submetem a provas humilhantes. Exibem sua vida pessoal para o Brasil inteiro julgar. Fazem coisas inimagináveis somente para estar na final e poder se tornar um milionário. Mas até que ponto isso vale a pena? Até que ponto vale à pena sofrer humilhações? Será que vale tudo por dinheiro? Será que vale fazer de tudo para ficar famoso?
Já foi exibido no programa Fantástico, depoimentos de pessoas comuns que fariam de tudo para serem como os ídolos. Em contrapartida entrevistou o ídolo delas. O resultado foi que os ídolos também fariam de tudo para ficarem no anonimato, de poder ter uma vida comum.
A revista Brasil de Fato fez o seguinte levantamento em reportagem em setembro do ano passado. Para 68% dos jovens brasileiros, "ser bem sucedido" significa tudo na vida de alguém. Ser feliz está abaixo, com 62%. No que diz respeito ao dinheiro, a reportagem levantou que 6% topariam roubar para ficarem ricos, e os outros 39% deixariam a profissão sonhada, por outra que ganhasse mais.
Pesquisas como esta comprovam o caráter materialista das pessoas. O quanto elas fariam de tudo para serem famosas e ricas. O que infelizmente a maioria delas não sabe, é que alguns meios de comunicação conduzem as pessoas a pensar que a única maneira de vencer na vida, seria atrair holofotes e possuir uma conta bancária alta. Mais será que um milhão e meio de reais paga a humilhação e exposição?

sábado, 13 de março de 2010

Mulheres. Há o que comemorar?


O dia 8 de março é comemorado em todo o mundo como o Dia Interncional da Mulher. A data é um reconhecimento da luta por uma participação de igualdade na sociedade e também contra a discriminação. Ela é comemorada desde 1910, em homenagem ás mulheres que morreram em uma fábrica de tecidos situada em Nova Iorque, por reivindicarem melhores condições de trabalho. A história conta que em 1857, as operárias desta fábrica de tecidos fizeram uma greve e exigiram a redução da carga de trabalho, igualdade de salários com os homens e tratamento digno. A fábrica acabou sendo incendiada, e aproximadamente 130 mulheres morreram carbonizadas.
A morte tão cruel serviu para que o mundo enxergasse um distanciamento entre homens e mulheres. Março foi oficializado pela Organização das Nações Unidas(ONU) como o mês da mulher. O fato é que esse mês, não é só para ser comemorado com presentes e homenagens, mas sim com reflexões sobre os inúmeros problemas que a camada feminina ainda enfrenta na sociedade, sobre discutir o papel da mulher, e o término do preconceito e a desvalorização deste gênero.
Agora eu pergunto: Há o que comemorar? Existe motivos para que o mês de março seja dedicado as mulheres? Claro que há! Pois ao longo da história, as conquistas vieram, e as mulheres continuam ocupando cada vez mais espaço.
Por questões culturais em alguns países, e o fato de que o homem é considerado o "chefe" da casa, o pioneirismo feminino foi acontecendo de um a um. No Brasil, a história não me deixa equivocada. Já em 1827, surge a primeira lei da educação das mulheres brasileiras, permitindo que frequentassem as escolas e estudassem o básico, já que instituições de ensino mais adiantado, eram proibidos. Em 1879, elas obtiveram do governo autorização para entrar no ensino superior. Chiquinha Gonzaga em 1885 rompeu barreiras e foi a primeira mulher no país a estar á frente de uma orquestra. Dois anos mais tarde, Rita Lobato Velho, tornou-se a primeira mulher a se formar em medicina. E as conquistas não pararam por aí. Vieram também o voto, a entrada na política, e o direito de poder participar de competições esportivas.
Ainda há o que avançar. As cinzas daquelas mulheres, jamais serão esquecidas! Morreram aquelas mulheres de coragem, que lutaram por uma causa nobre. Morreram aquelas mulheres indignadas com o tratamento por causa de seu gênero. Não morreu o exemplo que elas deixaram. Muito menos morreu, a garra das mulheres de hoje.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Cuidamos bem de nossas crianças?


“As crianças quando são bem cuidadas, são sementes de paz e esperança. Não existe ser humano mais perfeito, mais justo, mais solidário e sem preconceito que elas. Como os pássaros, que cuidam de seus filhos ao fazer um ninho do alto das árvores e das montanhas, longe dos predadores, ameaças e perigos, e mais perto de Deus, deveríamos cuidar de nossos filhos como um bem sagrado, promover o respeito aos seus direitos e protegê-los.”
As últimas palavras usadas no discurso antes de sua morte, a doutora Zilda Arns não só deixou uma lição para a eternidade, mas levantou um problema pertinente, onde a maior arma contra esse mal são os cuidados com as nossas crianças, o zelo que temos que ter com elas.
Pelé em seu milésimo gol dedicou às crianças e pediu para que as defendessem. Todos concordam que elas são o futuro, mas não haverá futuro se não cuidarmos delas agora.
. Segundo relatório da Unicef lançado em 2006, nas atuais taxas de progresso, cerca de 8,7 milhões de crianças menores de cinco anos morrerão até 2015. No entanto, se houver trabalhos para a redução da mortalidade infantil, será possível salvar outras 3,8 milhões de vidas.
Nas Américas e no Caribe, grande parte do tráfico infantil visível é impulsionado pelo turismo e focalizado em resorts litorâneos, alimentando uma demanda de exploração sexual infantil e mão-de-obra, que pode ser facilmente explorada. Criminosos que transportam drogas através das fronteiras também estão envolvidos no tráfico humano.
É impossível quantificar o número exato de crianças de rua, mas certamente chega a dezenas de milhões em todas as partes do mundo. Em sua maioria não são órfãs. Muitas ainda mantêm contato com suas famílias e trabalham nas ruas para aumentar a renda doméstica. Frequentemente sofrem de abusos psicológicos, físicos ou sexuais.
A educação é inegavelmente um direito de toda a criança crescer saudável e garantir seu futuro. Hoje esse direito é negado a 121 milhões de menores. 83% das meninas, que não frequentam a escola, vivem na África do Sul. Os dados mais recentes em escala mundial indicam que a matrícula e a frequência escolar das crianças são inferiores a 85% em 70 países.
O mundo precisa saber que existem crianças lutando em revoluções e guerrilhas. Permitir isso é confiar-lhes ao mal, é roubar-lhes as esperanças. Como podemos esperar que no futuro sejam cidadãos bons e fraternos se descuidamos do seu presente? Qual a paz que a criança encontra, tendo que conviver com guerras? Não podemos deixar que muitas delas sejam exploradas, seduzidas e as impeçam de irem para a escola. Do contrário, não teremos esse tão sonhado futuro.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

2010


O ano de 2010 mal começou, e fomos logo pegos de surpresa por deslizamentos, caos e muita chuva. Pessoas perderam a vida comemorando a chegada de um novo ano. Novos sonhos, desejos e projetos que foram interrompidos não pela mão humana, mas pela força da natureza. Força que foi arrasadora. O que talvez muitos não saibam, é que não podemos contra ela, e muitas vezes, a chuva descontrolada é culpa do homem que destruiu o próprio ambiente no qual vive.

A dignidade posta em cheque

‘Que merda… dois lixeiros desejando felicidades… do alto de suas vassouras… dois lixeiros… o mais baixo da escala do trabalho’.

O apresentador e jornalista Bóris Casoy está sendo processado pela Federação Nacional dos Trabalhadores em Serviço, Asseio e Conservação, Limpeza Urbana, Ambiental e Áreas Verdes (Fenascori), devido aos comentários que fez sobre os garis no Jornal da Band.
Bóris Casoy colocou em cheque, a dignidade de dois trabalhadores garis, que seguravam suas vassouras com orgulho. Ele não só feriu o que ele mesmo chamou de “lixeiros”, mas um Brasil inteiro, que sabe o quanto é difícil crescer na vida. O quanto é difícil lidar com o preconceito das elites dominantes. Isto é uma vergonha!


Perdendo a vida, ao lutar por ela

Zilda Arns é indiscutivelmente um ser humano que dedicou sua vida, em favor do próximo. Ela e outros militares perderam a vida, lutando pela sobrevivência de outras, em um tremor de terra no Haiti.
A médica pediatra tem um trabalho reconhecido mundialmente com crianças. Estima-se que cerca de dois milhões de crianças e mais de 80 mil gestantes sejam acompanhados todos os meses pela entidade em ações básicas de saúde, nutrição, educação e cidadania.
Seu trabalho também serviu de modelo para vários países, como Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Timor Leste, Filipinas, Paraguai, Peru, Bolívia, Venezuela, Argentina, Chile, Colômbia, Uruguai, Equador e México.
Morreu o corpo de Zilda Arns. Ficou a lição de uma guerreira que nunca desanimou. Uma mulher que foi exemplo de vida, de garra e luta.
Perdas irreparáveis, e mais uma catástrofe que não podemos explicar, levando a devastação, o país mais pobre das Américas.


Cara de pau e perdão

Depois das imagens incontestáveis do governador do Distrito Federal colocando propina em suas meias, a cara de pau rola mesmo a solta no cenário político. Com medo de ser cassado e perder seu mandato, Arruda fez o papel ridículo de pedir perdão e dizer que entende a indignação das pessoas. Nesse contexto,ainda há uma boa notícia. Os lendários caras-pintadas ressurgiram.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A honestidade


Lourença Paula da Cunha, uma mulher de 55 anos, catadora de materiais recicláveis, encontrou pacotes de lixo com a quantia de cerca de R$ 40 mil em um supermercado de Penápolis, interior de São Paulo. Ela devolveu o dinheiro ao dono do estabelecimento comercial, que calculou a quantia de dinheiro que havia nas sacolas. Ela contou que quando chegou em casa para separar o material que havia recolhido, se espantou ao ver tantas notas de R$ 50, além de vários cheques pré-datados e até dólares.Lourença disse que achou que o dinheiro fosse de mentira. Mas, quando descobriu que o dinheiro era real, se lembrou de onde havia retirado as sacolas, voltou para o supermercado e devolveu toda a quantia. Ela acabou recebendo R$ 200 de recompensa. A catadora mora em uma casa de cinco cômodos com o marido, dois filhos e quatro netos. Há cinco anos, Lourença é voluntária no Fundo Social de Solidariedade de Penápolis.
Notícias como esta, que ocorreu em fevereiro deste ano, povoam jornais e revistas quase que cotidianamente. São pessoas humildes, trabalhadores que encontram quantias muito superiores ao que podem ganhar com o esforço de seu trabalho por mês, mas que optam por devolver o que não é seu. O que deveria ser normal, acaba sendo manchete para comoção nacional, pois com tanta injustiça e desonestidade, fatos como esse acabam virando exemplo, e as pessoas envolvidas viram super-heróis.
Em meio a tanta corrupção, tanta impunidade, pergunto: E nós, será que cumprimos o nosso papel com dignidade? Damos bons exemplos? Segundo pesquisa realizada pela revista Vida Simples neste ano, algumas pessoas costumam não exercer sua cidadania. Elas mentem e enganam quase que diariamente. Sentem prazer em passar a perna nos outros, e tirar vantagem em tudo. Costumam também maquiar esse tipo de comportamento afirmando que é tudo no “jeitinho brasileiro”.
Segundo estudo publicado na revista Istoé, colar dentro de sala de aula, já é encarado com naturalidade. “Colar” em provas escolares, quando se é criança ou adolescente, é considerado pela psiquiatria um forte indicativo de possível transtorno de conduta na juventude, e transtorno da personalidade antissocial na vida adulta. Prova disso é que a Classificação Internacional de Doenças (CID-10) e o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV) abrem capítulos específicos para a “cola”. Quem cola tem quatro vezes mais chances de enganar o chefe quando se tornar um profissional, três vezes mais chances de não devolver um eventual troco a mais na compra de um produto, além de apresentar forte tendência para mentiras e burla de dados e informações.
A justiça brasileira, a que deveria dar os grandes exemplos, continua a promover injustiças. Dos 130 processos distribuídos no STF nos últimos 19 anos, apenas seis foram julgados e absolvidos. Outros 46 foram remetidos à instância inferior, 13 prescreveram e 52 continuam em tramitação. No STJ, dos 483 processos recebidos de 1989 até junho de 2007, 11 foram absolvidos, cinco foram condenados e 71 prescreveram. Foram remetidas à instância inferior 126 ações, e ao STF, 10 processos. Ainda há 81 ações em tramitação.
A desonestidade existe em muitos setores. Não é só na política!O Brasil recebeu a nota miníma de 3,7 em honestidade no ano passado entre sua população. Muitos apontam o dedo para Brasília, mas não se conscientizam que cumprir seu papel mesmo que pequeno, impede que ela continue se expandindo. Não sabem que a corrupção está refletindo o que acontece na sociedade. Não podemos deixar que a honestidade seja apenas privilégio de poucos! Devemos parar de aceitar de vez, que desvios de dinheiro, trapaças e mentiras sejam normais.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A Criminalidade


Após meses de investigação conjunta com a Polícia Federal, duas quadrilhas formadas por jovens da zona sul do Rio de Janeiro foram desmontadas. Dezenas de frequentadores de academias, surfistas e moradores de prédios da área mais valorizada da cidade foram presos. Os criminosos tinham dinheiro, frequentavam restaurantes e danceterias e vinham de famílias ricas.
De acordo com especialistas, a ação que ocorreu em fevereiro deste ano nos aponta um dado alarmante que está crescendo no Brasil. A classe média e alta também está no crime. A participação de garotos endinheirados em atividades como tráfico, roubos e sequestro é um fenômeno que não é só dos cariocas.
Os dados da criminalidade no Brasil, também desmistificam uma grande injustiça. Um preconceito que hoje não tem mais razão de ser. O fato de que a criminalidade sempre esteve ligada à pobreza.
Segundo a última pesquisa da Fundação Casa em São Paulo, 28% dos internados da Febem são oriundos da classe média. Pessoas que tinham dinheiro, carro, e o pior, a oportunidade que tanto falta aos moradores de baixa renda.
Criminalidade e pobreza não andam juntas. Há trabalhadores honestos nas comunidades pobres. A desonestidade não se restringe a guetos. Os tiros e os bandidos não se restringem as maiores favelas. Há bandidos em suas casas confortáveis e frequentando as melhores universidades do país.
Durante muito tempo, houve no Brasil apologia ao uso de drogas em músicas e principalmente na televisão. Era o mocinho sedutor que não largava o cigarro, e hoje já são até afastados das novelas por não aguentarem mais. Os formadores de opinião, aqueles que sempre estão atrás das telas, que deveriam dar o exemplo, chegam a promover passeatas contra as drogas e a favor da paz, mas ninguém vê um problema ainda pior. Quem financia os traficantes são as pessoas que possuem dinheiro, são elas que compram e continuam a financiar.
A criação de condomínios fechados protegidos por grades e câmeras, está longe de ser a solução para o problema de segurança. Isolar as favelas, e atribuir-lhes a responsabilidade pelo crescimento do império do crime, é ainda pior.
Vamos continuar julgando pobre como criminoso, e continuar alimentando esse apartheid social alimentado pelo preconceito?