sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Fenômeno Aposentado


Chegou a hora de Ronaldo pendurar as chuteiras. Junto a uma carreira cheia de conquistas, o maior artilheiro de Copas de todos os tempos deixa o futebol profissional. Como não lembrar de suas jogadas em mundiais? Como não lembrar de seu cabelo em 2002, onde o corte era no mínimo estranho? Como não lembrar dos escândalos envolvendo mulheres, e do aumento de peso? Mas Ronaldo não foi exceção em um ponto. O fato de ter sido um jogador brilhante,de ter sido eleito o melhor do mundo, não fez com que seu destino fosse como o de muitos outros. O de ser tratado como uma mercadoria. Quando estão na época de brilharem, toda a imprensa torna-os ídolos inquestionáveis. Quando no final de suas carreiras,já não rendem, acabam por serem desmerecidos, e os espaços em jornais e na grande imprensa são as cobranças e as piadas, esquecendo que são seres humanos e possuem suas limitações. Ronaldo pode deixar os gramados, mas o futebol brasileiro jamais, pois ele deixou a sua marca nos corações de toda uma nação que vibrou com seus gols, que torceu pela sua recuperação, e que gritou seu nome assistindo suas jogadas.

Novelas

Ontem, por acaso, vi uma cena da novela global “Insensato Coração”, onde um personagem dizia que a traição era normal, pois as pessoas tendem a se auto-afirmar, e enjoam de seus casamentos. Por muitas vezes, tenho acompanhado o que acontece nas novelas lendo as manchetes das revistas nas filas de mercado, e acabo me dando conta de uma triste realidade. Nem precisa assistir todos os folhetins para saber que os ingredientes e acontecimentos são sempre os mesmos. Filho enganando pai, “mãe de família” que trai o marido, noivo que está prestes a se casar traindo a noiva. Mortes, assassinatos, traições, mentiras, traições, brigas, traições... A mesma sujeira todos os dias poluindo nossos lares. Já perdi as contas de quantos psicopatas apareceram na telinha fazendo maldade, se existissem tantos psicopatas como as novelas mostram, estamos mais perdidos do que eu imaginava. Também já é rotina em novelas transformar todos nós em detetives, para descobrir qual personagem está matando, envenenando, atropelando, ou seja, o grande assassino da trama. Me perdoem os noveleiros, mas o único caminho que vamos seguir com tantas histórias que não educam, e não acrescentam nada, é a degradação dos valores da família.

BBB

Esses dias, recebi um texto desses passados por e-mail criticando o também global Big Brother Brasil. Segundo o autor, o programa já é o fundo do poço e ainda adverte que o BBB destrói os valores da família brasileira, e também mostra preocupação com a ideia de que os participantes são heróis. Heróis segundo o texto, são os trabalhadores brasileiros que trabalham todos os dias, que ganham mal, e muitas vezes têm que sustentar a casa com um salário mínimo. Ano passado, tive a oportunidade de ler uma matéria onde alguns entrevistados tiraram dinheiro do seu próprio bolso, e em alguns casos se endividaram para presentear o “herói” que tinha saído da casa sem o prêmio. Em diversos lugares do país, chegaram a montar clubes com fãs para arrecadar o valor e dar para o BBB preferido. Logo um psicólogo analisava clinicamente que essas pessoas não tinham o mínimo de amor próprio, e precisavam de tratamento, em especial uma mulher, que vendeu todas as coisas de casa e se separou do marido, apenas para mandar presentes para o Eliéser que participou da décima edição do programa, que ela nunca conhecera, apenas acompanhava pela televisão. Se isso não é o fundo do poço, como sugeriu o autor, estamos bem próximos dele.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O dia que o Canário apanhou de um Galo manco!


Por Wilson Vanin

"Um galo sem esporas foi visto hoje em um estádio lotado na França.
Mesmo não tendo armas letais, cavoucou a tumba de um canário, depenado e auto-destrutivo."

O bem da verdade é que nunca vi um canário jogando futebol, e não sei o que leva o apelido de canarinho a seleção nacional...se é que podemos chamar de seleção...

O canarinho é bunitinho e tudo mais, mas genteeee, o Kaká não foi convocado!

Sinto falta do Carlos Alberto Parreira, Felipão, mas principalmente sinto falta do Dunga! Ah que saudade daquela seleção que chegou aonde chegou com méritos, e foi desmerecida por um só jogo. Agora em 5 jogos temos 2 derrotas, mas ainda é nóis né Mano!
Veja bem, que equipe que não vai, que não tem objetivo. A falta de comando é extremamente visível quando se percebe jogadores perdidos e sem saber o que fazer. Enquanto Mano no banco parecia não ter voz ativa, o Menez em campo deitava em pé. Também acho que o Benzema deveria ser nosso pra ver se saía a praga da seleção.
Não só de críticas viverá o homem, e assim reconheço aqueles que merecem minha atenção. Enquanto Júlio César fazia seus milagres de sempre, os zagueiros se esforçavam para cobrir os erros dos volantes, meias e laterais. Dunga cobrava objetividade de Robinho, enquanto o Mano deve cobrar um cumprimento de mano mesmo. O Pato tava fora da briga...o negócio era entre o Canário e o Galo....
Reconheço uma melhora quando Sandro entrou, com o Hulk, embora me parecesse estar jogando em um Caldeirão(sem críticas ao apresentador, mas não é a profissão dele).

E quando se pensa em ter uma super jogada, escuta-se Galvão Bueno, após um chute, dizendo: "...a bola subiu pouco, muito"

É...esse é um grande time, mas cada um tem o narrador que merece...

Mas o que me deixou mais impressionado ainda, foi após o término do jogo o volante Lucas reclamando que o juiz deu 2 minutos de acréscimo e não 3. Os caras não conseguem fazer um gol em 92 minutos, aí querem fazer em 1?
Ah...antes que eu esqueça, quanto ao Galo manco, foi aquela linda jogada do Hernanes. Sério...eu juro pensar ter visto a camisa branca embaixo da camisa da seleção com uma foto do Anderson Silva! Não prestei atenção, mas o jogador francês parecia com o Belfort?

Enfim...com tudo isso sinto uma vontade imensa de gritar: VOLTAAAAAAAAAAAAA DUNGAAAAAAAAAAAAAAAAA, e é claro, traga o Felipe Melo no lugar do Hernanes, porque aquele sabe como se faz!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Dilma


"Sonhar e perseguir nossos sonhos é exatamente o que nos permite romper os limites do impossível." Com essa frase no último dia 1 de janeiro de 2011, Dilma Rousseff cingia em seu ombro a faixa presidencial. O Brasil hoje é governado por uma mulher, uma mulher que como o presidente Lula, promete dar maior ênfase as camadas mais pobres da população brasileira. Dilma hoje representa a continuação de um projeto que vem dando certo, mas não é apenas isso. Representa também milhões e milhões de brasileiras país afora que também querem o direito de sonhar como mães, avós e filhas. Representa as mulheres de fibra, de força e coragem, desde aquelas que acordam cedo para cuidar dos filhos, até aquelas que vêm cada dia mais ocupando um lugar na sociedade.

Um país otimista

Segundo informações da pesquisa Gallup Internacional, o povo brasileiro é um dos cinco mais otimistas em relação à economia mundial nesse ano que se inicia. Apenas 9% dos entrevistados acreditam que haverá dificuldades econômicas. Com otimismo, fica fácil acreditar que o Brasil viverá uma das suas melhores fases. Agora mais do que nunca, é a hora da união para que possamos dar um salto de qualidade em todas as áreas, principalmente em saúde e educação.

Ronaldinho não é gaúcho, é carioca

Parece que aquela conversa de amor ao time e orgulho da camisa não existe mesmo. Quem é do mundo do futebol sabe disso, é como em qualquer outro lugar, uma empresa que visa o lucro. Ronaldinho gaúcho não é mais gaúcho, e sim um carioca! Para as pessoas que ainda acreditam que o que importa é a fidelidade ao time, acho melhor acordarem um pouco dessa ilusão! Alguns milhões a mais fazem qualquer um esquecer-se de sua origem e de seu time do coração. Pobres gremistas, Ronaldinho e seu irmão provaram mais uma vez que o que conta é a poupança no final do mês.

Brincando com vidas

Mais um ano e mais tragédias, e o pior, tudo sempre previsível. As casas inundadas, tudo o que foi construído uma vida inteira indo embora no meio da lama. Cadê as soluções? Será que ainda vamos esperar mais chuvas e mais cenas de tragédias por quantos anos? São famílias que vivem diariamente no perigo, são interditadas pela defesa civil, mas se encontram naquele velho dilema: Se eu sair daqui, vou para a rua? Acho que nós brasileiros aqui do Sul, temos que nos unir e rezar para São Pedro parar de mandar chuva para lá, que é o que nos resta, por que pela televisão, só escutamos investimentos que nunca dão em nada, e que esbarram na força da natureza. O que sempre sobra, são os noticiários cheios de mortes e desabamentos, e aquele sensacionalismo de sempre, com o repórter em cima dos escombros e filmando os gritos de desespero de quem perdeu não só apenas bens materiais, mas a família, os amigos, os vizinhos...

Um ano sem Zilda Arns

Uma das melhores definições que encontrei sobre a doutora Zilda Arns, foi à de que ela seria um dos corações mais bondosos que já bateram no nosso país. Para quem tevê a oportunidade que eu tive de ir até o cemitério onde ela está enterrada, acabou estranhando a falta de flores e homenagens a ela. A explicação é o seguinte, a família não permitiu que ninguém enviasse flores e faixas, mas que usasse esse dinheiro para doar a Pastoral da Criança. Belo exemplo de generosidade e humildade.O jeito agora é torcer para que surjam mais pessoas com o coração de Zilda Arns, para que façam a diferença e ajudem a construir um mundo melhor.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Papai Noel


O bom velhinho chegou gordo para os políticos neste Natal com o reajuste de 61,8% aprovado na Câmara dos Deputados e no Senado nos salários pagos a deputados, senadores, ministros, presidente e vice-presidente da República. O presente de final de ano custará R$ 1,8 bilhão aos cofres públicos. Só os deputados federais poderão elevar o seu salário de R$ 16,5 mil para 26,7 mil. O que eles esqueceram de reconhecer é que o nosso Brasil não é um país completamente justo, e eu desafio os nobres parlamentares a viver com o salário de R$ 510 por mês que foi pago durante o ano de 2010. Desafio a alimentar suas famílias com o dinheiro pago pelo Bolsa Família, talvez assim eles possam analisar o que é um salário justo, e o que falta realmente para o Brasil deixar de ser tão desigual, pois nunca nenhum trabalhador brasileiro conseguiu essa porcentagem de elevação em seus honorários no final do mês. O que será que os 35 parlamentares que votarão contra farão com o benefício? Irão abdicar desse dinheiro?

Educação

O país ainda engatinha no quesito educação, os avanços foram notáveis, mas se formos analisar, os passos são lentos e as fórmulas ainda são ineficientes. O Brasil deixa a desejar na educação básica, pois nos últimos anos houve uma preocupação maior com o ensino superior, deixando de lado as crianças que estão entrando na escola. Segundo o movimento “Todos pela Educação”, existem metas que precisamos alcançar, e no ano de 2010 nenhum estado da federação atingiu. As metas são: diálogo com os pais para acompanhar a vida letiva dos filhos, valorização dos professores, fortalecimento das avaliações aplicadas e melhoras nas condições de aprendizagem como a ampliação do turno de ensino. Se essas metas não forem alcançadas, provavelmente a educação ainda enfrentará problemas e impedirá grandes avanços, colocaremos mais estudantes no ensino superior, mas a maioria ainda enfrentará dificuldades nos primeiros anos de escola.


Oito anos de Governo Lula

O país avançou muito socialmente nos últimos oito anos de mandato de um ex-metalúrgico, os avanços foram visíveis, tanto economicamente, como no reconhecimento internacional. O presidente nos deixa uma sucessora e ostenta números recordes de popularidade, acertou muitas vezes, mas ainda assim a corrupção foi assunto que incomodou o governo federal. Mas uma coisa é fato, quer alguns teimarem em não reconhecer, Lula é um herói nacional e líder de massas. Ele merece reconhecimento pela sua história de vida e sensibilidade para tratar das questões sociais como sua principal bandeira. Lula deixa sua marca como o presidente mais popular da história.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Ordem e Progresso?


O Exame Nacional do Ensino Médio realizado em todo país e que deveria servir para ajudar os alunos a entrar na faculdade, está sendo a maior dor de cabeça para eles. Alunos que estão em uma fase decisiva em suas vidas, perderam o sono desde que as impressões das provas estavam erradas. Diversas manifestações estão ocorrendo em todo país, de alunos que querem acima de tudo, ter o sonho de entrar para o ensino superior respeitado.
Essa prova foi a grande responsável por um salto de alunos oriundos de escolas públicas terem sua chance de entrar nas faculdades federais, além de testar o conhecimento longe das “decorebas” de cursinho, mas com o vazamento das provas e agora o erro deste ano, estão fazendo com que o Enem perca a sua credibilidade. Essa questão me faz refletir o que significa mesmo a frase “Ordem e Progresso” ?

Xenofobia

Em um país como o Brasil, tão vasto e tão grande em miscigenação e cultura, deveria se orgulhar de seu povo e de suas riquezas naturais, mas parece que uma parcela da população não entende desse orgulho, e ao final do segundo turno das eleições presidenciais lançaram uma campanha de ódio no twitter contra os nordestinos, dando-lhes a responsabilidade pela eleição da Dilma.
Quem mais impulsionou a campanha foi a própria imprensa, que fez questão de frisar a todo o tempo que a vantagem da candidata se estenderia ao chegar aos estados do Norte e Nordeste, exibindo muitas vezes um mapa em vermelho e azul, dividindo o nosso país e colocando Minas Gerais e Rio de Janeiro no Nordeste e São Paulo no Sul.
Um país que mostrou repulsa contra o aborto seria muita pretensão ser a favor de ataques contra um povo que vive dentro da mesma nação, que ajudou a construir nossa história. Também acho muito preconceito o fato de ricos votarem em quem defende rico, fazendeiro em quem defende fazendeiro. E qual o grande motivo que há em nordestino não poder votar em quem ajuda eles?

Deus não é cabo eleitoral

Um dos grandes desastres dessas campanhas, que me fez por muitas vezes ter vergonha de ser brasileira, foi o baixo nível usado. Até Deus entrou na briga, e os candidatos buscaram mostrar quem era o mais santo, o mais crente, o mais religioso. Espero que as eleições presidenciais 2010 sirvam de lição para aprendermos que Deus não é cabo eleitoral.

A primeira Mulher

“Agora você pode”. Foi assim que Dilma já eleita mandou um recado para milhões de mulheres nesse país. Dilma representa uma ruptura total contra o preconceito feminino e abre uma nova era em nossa história. E será que ela seguirá no rumo certo? Isso só o tempo dirá!

sábado, 13 de novembro de 2010

A paixão pelo Inter


Ensaio sobre O Inter feito para um trabalho de faculdade na matéria de Jornalismo Especializado que me permitiu homenagear o meu irmão

“Glória do desporto nacional
Oh, Internacional
Que eu vivo a exaltar”

Porque afinal existe toda essa paixão acerca de algo que não vivenciamos? Ou talvez como dizem os mais céticos, a paixão explosiva diante de algo que nem sabe que a gente existe, ou não está nem aí para os nossos sentimentos? O que realmente posso dizer, é que talvez a resposta mais óbvia fosse à possibilidade de sermos guiados pelas nossas emoções, e não agirmos pela razão. O fato de simplesmente ser apaixonada por um time de futebol, não nos faz totalmente dependentes desse vício, e talvez não nos deixe menos pensante, o fato é que esse sentimento existe, e ás vezes fica tão forte que não temos nem como controlar.
Eu não escolhi torcer pelo Inter de Porto Alegre por acaso, minha história com o meu time está entrelaçada desde quando eu nasci, e talvez Nelson Silva, o dono da letra do hino do Internacional, já esperava que no interior do Paraná fosse nascer mais uma colorada e introduziu na sua letra a parte do “Eu vivo a exaltar”, pois foi exatamente isso que eu fiz minha vida inteira. Quando nasci em abril de 89, lá estava meu pai todo babão e minha orelha tão pequena foi vítima dessa paixão, lá na Policlínica São Vicente de Paula, a mais tradicional de Francisco Beltrão, lá mesmo colocaram em mim brincos vermelhos que remetiam as cores do Inter. Desde pequena vi meu pai com seu radinho exposto na sala sintonizado na rádio gaúcha, acompanhando cada lance, cada notícia, cada passo do Inter, e o tão sonhado título mundial nunca vinha, o que vinha era um título aqui e ali regional, a maior alegria então era ganhar do Grêmio, seu maior rival, lembro como se fosse hoje, o Inter dando uma surra histórica com sete gols pra cima do Grêmio em 1997, e eu lá toda eufórica pulando e gritando com a camisa do Inter, que na época ainda era patrocinado pela Coca Cola.
E foi exatamente nesse dia e neste ano que começou minha paixão pelo Inter, quando eu comemorava os gols do Inter, minhas amigas gremistas me perguntavam o que afinal eu ganhava com aquilo? O fato é que eu não me importei, e continuei gritando de felicidade como se eu estivesse ganho na Mega Sena acumulada, tamanha a minha euforia. E foi em abril de 1997 que ganhei minha primeira camisa do time, estava fazendo aniversário de oito anos e meu pai desembrulhou o presente e lá estava ela, tinindo de nova, branca e vermelha, e não a larguei mais, até hoje vejo as fitas que meu pai gravava nesta época, eu com minha camisa do Inter toda orgulhosa. E por falar nas minhas amigas gremistas, rolava ceninha de ciúme, rolava até algumas briguinhas, cheguei ao ponto uma vez de colar na porta da minha casa um cartaz onde eu dizia que era proibida a entrada de gremistas.
Até aquela época nunca tinha parado para pensar muito no que eu ganhava fazendo todo esse estardalhaço, pouco me importava naquela cabecinha de criança ingênua, só me importava mesmo em provocar as minhas amigas.
Mas irei dissertar um pouco mais sobre essa paixão. Ela era nutrida muito mesmo pelo fato da competição, na minha família, que tem um lado bem gaúcho, havia e ainda há santistas, corintianos, gremistas e meu pai e uma tia, colorados roxos. Sempre que nos reuníamos aos domingos para os churrascos em família, todos esperavam a Globo passar o jogo no domingo a tarde, como só passava um, os torcedores dos times que não estavam jogando ao vivo, ficavam na expectativa de esperar pela bolinha avisando de um gol, quando ela aparecia, esses mesmos ansiosos iam para frente da televisão e tentavam acertar os lances na esperança de ser o seu time o que acabara de fazer o gol. Sobre a paixão que cada um sentia pelo time, ninguém sabia dizer ao certo, meu tio porque gostava muito do Rivelino que jogava no Fluminense, meu pai porque gostava muito da cor vermelha do Inter, e porque também em 1979 na época em que escolheu o time, ele havia faturado a Campeonato Brasileiro de forma invicta. Minha outra tia também colorada, aprendeu com o pai e também passou a vida inteira ouvindo os jogos do Inter as margens do Rio Guaíba. Meu avô era santista por causa do Pelé, e até hoje nem meu outro tio palmeirense, nem minha avó corintiana conseguiram explicar o motivo de torcerem pra seus respectivos times, até que em 1990, uma tia minha se casou com um gremista, e o resto da história você pode imaginar. Toda vez que vamos até a casa deles em Joinvile SC, meu pai se recusa a tomar chimarrão na cuia com o símbolo do Grêmio, só aceitou uma vez, quando colocou um lenço para tapar o símbolo e evitar que suas mãos coloradas tocassem naquele símbolo azul.
Mas vamos aos fatos. Acredito que não agimos pela razão, que as nossas paixões auxiliam a nós movermos nossas vidas, mas em algumas vezes, não sabemos usar nossa paixão para o bem, como é o caso da violência no futebol. Nos últimos dez anos, 42 torcedores morreram em conflitos dentro, no entorno ou nos acessos aos estádios de futebol. Os dados foram estudados por um sociólogo e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Maurício Murad, baseado em dados fornecidos por jornais, revistas e rádios das principais cidades do país entre os anos de 1999 e 2008.
Neste período a média ficou em 4,2 mortes em cada ano. No período entre 2004 e 2008 o número de mortes totalizava 28, uma média de 5,6 por ano. A proporção é ainda maior se contabilizarmos somente os últimos dois anos, com 14 mortes, média de sete por ano, constatando que está cada vez maior o número de óbitos entre as torcidas de futebol.
Eu bem sei o que são esses fatos. Moro há algumas quadras do estádio do Atlético Paranaense, e sei da algazarra, dos xingamentos e das loucuras que os torcedores fazem simplesmente para ver o time, e quando ele perde agem muitas vezes como animais selvagens. Ao constatar isso, me remete ao que minha amiga me falava há anos atrás, em 1997, quando entrei de cabeça na minha paixão pelo Inter, quando pulava de satisfação pelos gols, e me vem cada dia mais forte aquela frase: O que você ganha com isso?
Mas vou continuar a respeito da paixão. Quando ela é verdadeira, não importa, quando ela nos dá prazer ou alegria, não importa o preço. Ainda vibro com o Inter, já estou me formando na faculdade e ainda tenho brilho nos olhos quando ele joga. Vi ele ser Campeão do Mundo em cima do Barcelona em 2006, exatamente no dia 17 de dezembro de 2006, que marcou totalmente a minha vida. Não consegui ver o jogo inteiro, saí de casa naquela manhã de domingo simplesmente por medo de não conseguir esse título, do medo de perder mesmo, e ficar sem fazer história e acabar a vida inteira me remoendo e querendo esse título. Meu nervosismo, o coração a mil me impediram de ver o jogo ao vivo, mas exatamente aos 37 minutos do segundo tempo, quando os gremistas da cidade já tinham acabado com todos os foguetes das mercearias que ainda estavam abertas e também torcendo pelo Barcelona, eu estava na esquina da minha casa e vi quando meu irmão gritava como eu nunca havia o visto gritar na vida, um grito de excitação, de completa felicidade, uma explosão de contentamento, que há anos ele guardava no peito, pois só eu sei o quanto ele sofria quando o Inter perdia para o Grêmio, ele chorava em frente ao rádio, não querendo nem ir para a aula, com medo das retaliações de seus colegas gremistas. Mas foi aos 37 minutos do segundo tempo,com o gol de Adriano Gabiru, que até aquele momento ninguém conhecia, ficou a frente do poderoso Barcelona que tinha estrelas como Ronaldinho Gaúcho e o português Deco, que tinham acabado de eliminar um time mexicano com quatro gols e estavam achando que ia ser mamão com açúcar derrotar um time gaúcho que nunca havia estado em uma competição mundial de clubes. O fato que naquele dia todos os gremistas do planeta baixaram a cabeça, e fiquei sabendo até de alguns que choraram de raiva, pois o mundo estava sendo pintado de vermelho, vermelho da paixão, vermelho do Inter.
Eu claro, vibrei o dia inteiro, eu e minha família quase nem acreditávamos, meu irmão chorava em frente à televisão, e seguimos até a avenida com vários colorados da pequena e pacata cidade de Realeza no Paraná, como se estivéssemos ganho na Loto Mania, como se tivéssemos sido abençoados pelo Papa, ou sabe se lá Deus, qual outro motivo para causar tamanha alegria e alvoroço.
E essa minha paixão? Que me importa saber que não ganhamos nada com aquilo? Hoje vendo tudo isso. Acho que ganhei sim, ganhei a oportunidade de poder sonhar, de vibrar, de me alegrar com a alegria de todos. A oportunidade de ver uma união tão fiel, mas tão fiel mesmo, que não importa onde o Inter esteja, ganhando ou perdendo, ela continua aqui, bem grande dentro do coração.
A paixão de escolher a cor do seu quarto na cor vermelha, de suas roupas na cor vermelha, de andar na rua e ficar cantando o hino feito uma boba, de se refugiar na televisão do vizinho para ver a partida quando a sua televisão a cabo te deixou na mão. De chegar à sua casa e ver lá o quadro exposto do Inter de 79, e saber reconhecer todos os jogadores, mesmo nunca tendo os visto jogarem, pois nem havia nascido naquela época. A paixão de todo glorioso 17 de dezembro reunir a família na sala para assistir novamente a partida do título mundial, até decorar todos os lances, somente para reviver as emoções. A alegria da paixão de ser domingo e poder entrar no site do Inter atrás de mais um jogo, para saber onde joga. A petulância de falar de paixão de alguém que viveu e vive isso em seu cotidiano, e que nunca se arrependeu de ter escolhido esse time.
Mas o destino acabou reservando uma surpresa para essa família colorada, a minha família. Quis a vida que nós fossemos premiados com essa dedicação. Meu irmão caçula que sempre amou jogar bola acabou sendo escolhido por um olheiro do Paraná Clube em 2008, quando jogava os campeonatos regionais, em um ano e meio conseguiu notoriedade e foi eleito o melhor zagueiro da competição em 2009. No meio desse ano, quando estava prestes a assinar com o Paraná Clube novamente, foi impedido por alguns empresários, inclusive um agente da FIFA, que queria colocar ele dentro do Beiro Rio, ou seja, nas categorias de base do Internacional de Porto Alegre. Imaginem a nossa alegria? E foi isso mesmo que aconteceu, em agosto de 2010, o Alisson meu irmão, foi ao Inter, essa história de paixão e lealdade teve um desfecho digno de filmes com os finais mais lindos e encantadores. O Alisson defende o Inter hoje, e apesar da pouca idade, com 16 anos, já está conseguindo espaço lá dentro. E essa paixão está arrastando muita gente, agora todos os nossos conhecidos querem ser colorados, uma parcela da família que não tinha assumido time nenhum quer ser colorada. E quem disse mesmo que essa paixão não nos trouxe nada?
Alisson Brand assina com Internacional de Porto Alegre

Escrito por Jornal Liberal Seg, 02 de Agosto de 2010 09:39
O atleta Alisson Brand, o Brandinho, 16 anos, assinou contrato com o Internacional de Porto Alegre (RS), onde irá defender as equipes de futebol da base do time gaúcho. Ele estava há dois anos nos times de base do Paraná Clube, em Curitiba, onde se destacou e foi premiado na Seleção Paranaense Juvenil do Campeonato de 2009, e foi indicado e pré-selecionado neste ano para a Seleção Brasileira sub-16.
Alisson, filho do economiário Deonildo Brand e Seloir Alievi Brand, residentes em Realeza, iniciou sua carreira ainda criança, jogando futebol e futsal no Marrecas Clube, em Francisco Beltrão. Em 2003, quando a família se mudou para Realeza, ele começou a se destacar na escolinha municipal do Real.
Em 2008, através da Escolinha Atletas do Futuro de Francisco Beltrão, um olheiro do Paraná Clube selecionou Alisson para compor as equipes da capital paranaense. No mês passado neste ano, um técnico do Internacional, o observou e avaliou, aprovando o desempenho do atleta e o contratando para o juvenil do colorado, equipe que também é seu o time do seu coração.
A família orgulhosa pelo filho, deseja todo o sucesso e declara que estão na torcida para que continue, cada vez mais, sendo jogador de destaque no mundo do futebol.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Que país é esse?


No dia 6 de fevereiro de 2007, o recém eleito deputado federal Clodovil Hernandes subia no plenário pela primeira vez, e falou de uma lei do qual queria mandar ao Congresso. Uma lei que infelizmente não saiu do papel, pois o deputado veio a falecer anos mais tarde. Disposto a acabar com a tradição dos discursos inúteis, Clodovil afirmou que a Casa Legislativa representava o país, mais com tanta algazarra, parecia um mercado, pediu silêncio e disse que amava o país mais do que qualquer pessoa que se encontrava ali.
Quem já teve a oportunidade de assistir a uma sessão plenária como eu, deve ter sentido a mesma coisa. Na escola, desde o jardim de infância fomos educados a fazer silêncio para ouvir, mas parece que muitos dos nossos políticos não aprenderam a lição número 1. E não precisa ir para Brasília para assistir a isso, na Câmara Municipal de Curitiba, um projeto que beneficiava os homossexuais quase não foi aprovado, pois os vereadores não conseguiram ouvir o que se discutiam ali.
Será mesmo que os políticos sabem que estão mesmo representando o país? Será mesmo que eles têm consciência do quanto é importante as leis que passam pelas votações? Será mesmo que eles têm noção do que falam e do que se discutem ali? Basta ir até uma Casa Legislativa para dar apoio à lei de Clodovil. Na Assembléia Legislativa do Paraná, um deputado chegou ao cúmulo de dar lições que segundo ele, eram em benefício da população. Uma delas era não se esquecer de olhar o sapato antes de calçá-lo, lá poderia haver uma aranha marrom e isso poderia ser mortal.

Comunicação

O artigo 54 da Constituição Federal proíbe que políticos sejam donos de veículos de comunicação. A lei existe, o que não existe é o respeito a ela. Em alguns discursos, nobres políticos chegam a fazer propaganda de suas rádios e televisões. Dos 27 partidos políticos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 20 estão representados por políticos como proprietários de veículos de radiodifusão. Os políticos do DEM saem na frente com 58 veículos e representam 24,1% do total da classe sócia de meios de comunicação. Os filiados ao PMDB aparecem em segundo lugar com 48 veículos em seu poder (17% do total), seguido dos políticos do PSDB com 43 canais de TV ou rádios. O mapeamento foi feito pelo Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação e descobriu ainda que 147 prefeitos, 55 deputados, um governador, 48 deputados federais e 20 senadores têm vínculo direto com os meios de comunicação. Com esse patrimônio de comunicação fica difícil não acreditar na manipulação de informação em favor de interesses.

CQC

O programa CQC da Rede Bandeirantes já nos deu um exemplo de como os políticos estão preocupados com o que falam e o que assinam. Uma mulher a pedido do programa foi recolher assinaturas no Congresso Nacional para aprovação de uma lei. A maioria dos políticos assinou sem saber do que se tratava, sem saber que estavam dando apoio para que na cesta básica brasileira fosse inserida a cachaça.
E é exatamente esse o exemplo que é levado à sociedade. Um exemplo de desrespeito e injustiça. Um país que não respeita nem a própria constituição, mas que há cada eleição faz tudo, conserta tudo, promove tudo, avança na saúde e na educação. Mas afinal, que país é esse?